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Água
Água
Água
Na minha arca,
Levo uma alegria de cada espécie.
Recomeça outra vez.
No princípio, será o verbo
Sorrir.
Eu só queria uma casa simples,
Pra poder andar sem sapato.
Hoje o blog faz um ano. Quem gostou levanta a mão. :)
Nunca tive preguiça de gesto,
Só de arrumar palavra comprida.
Por isso escrevo
Poemas tão curtos
Sobre movimentos infinitos.
E aí você deseja que ele goste também de uvas como você e na primeira oportunidade que você tem de descobrir isso, ele te diz que odeia – as uvas – e você pensa tudo bem, desde que ele goste de ler, eu gosto, quero alguém que goste também, muito, e ele lê, mas lê aqueles livros que você, hum, não gosta muito, está bem, você detesta, Código da Vinci e outros fáceis de achar na entrada de qualquer livraria de Shopping, você não é esnobe, claro que não, você só quer - e peloamordedeus, seria pedir demais? – alguém que goste de você e que você goste também e que seja parecido contigo. Não é pedir demais. Não é. Mas você aceita que ele odeie uvas e os seus livros, ele é bom caráter, você está muito exigente, garota, quer mais que bom caráter? Isso é ouro hoje em dia, muita gente nem tem. Aí ele diz que te adora e não te liga e te faz de idiota e diz que não quer mais te ver. Caráter? Pra que mesmo? Ele não usa. Mas você até aceita porque ele tem uma voz que você acha linda e um cabelo bonito, sabe? Daqueles bagunçados de propósito. Ou então, pior! Ele tem bom caráter sim, ótimo, sempre te liga, diz que te adora to-do-san-to-di-a, mas você, ai, você, desculpa, você não gosta dele, não bateu, entende? Mas você conheceu outro cara que já leu todos os livros que você já leu, que conhece umas músicas que você sempre quis conhecer, que ama uvas, fruta preferida dele, não acredito! É a sua também! Oh, god, ferrou, mas ele, sei lá, é meio estranho, às vezes, não fala muito de mulher, te chamou pra sair, mas não te beijou, nem chegou muito perto e você estava com o vestido preto, com “o” vestido preto, aquele que você usa quando tem as melhores intenções. Cara, se uma pessoa te chama pra sair e não te beija enquanto você está usando aquele vestido, baby, esquece, ela não vai te beijar nunca mais. Aí, a sua amiga te chama pra sair pra dançar e você vai, bonita até, e um cara te olha, opa, você gostou dele, ele vai falar com você, bate um papo rápido berrando no seu ouvido, porque afinal de contas, vocês estão numa boate e não num café, mas até que seria legal tomar um café com ele, morar junto, ter uns filhos, por que não? Cala a boca, você nem beijou o cara ainda. Ele não para de tomar cerveja, você odeia cerveja, mas ele é lindo, muda o foco, vai, tira da cerveja e põe no rosto dele, você vai se dar melhor assim. O beijo é bom, sabe? Você gosta. Mas ele não para de beber essa merda e isso está fazendo ele quase, sei lá, cair em cima do DJ, já pensou que vergonha? Você quer saber se ele gosta de ler, mas ele não entende mais o que você diz, você grita “ler” e ele ouve “beber?”. Oi, gatinha. Você diz “ler” e ele ouve “hein”, você desiste. Nem lembra das uvas, ainda bem. Você achou ele meio mala, pô, bêbado em cima de você, que desperdício, vocês poderiam ter aproveitado esse tempo de uma forma tão melhor. Mas ele te liga e você esquece a cerveja, o bafo de cerveja, os passos trôpegos e lembra só dos olhos azuis, ele tem uns olhos, que nossa, impressionantes mesmo. E a sua mãe ainda te chama de exigente.
Um poema
Que não quer ser poema.
Uma moça penteando os cabelos,
Às vezes, rima.
"We're all faced throughout our lives with agonizing decisions, moral choices. Some are on a grand scale, most of these choices are on lesser points. But we define ourselves by the choices we have made. We are, in fact, the sum total of our choices. Events unfold so unpredictably, so unfairly, Human happiness does not seem to be included in the design of creation. it is only we, with our capacity to love that give meaning to the indifferent universe. And yet, most human beings seem to have the ability to keep trying and even try to find joy from simple things, like their family, their work, and from the hope that future generations might understand more".
"You will notice that what we are aiming at when we fall in love is a very strange paradox. The paradox consists of the fact that, when we fall in love, we are seeking to re-find all or some of the people to whom we were attached as children. On the other hand, we ask our beloved to correct all of the wrongs that these early parents or siblings inflicted upon us. So that love contains in it the contradiction: The attempt to return to the past and the attempt to undo the past".
Estrelas se colando ao teto.
Se eu abro e fecho os olhos
rapidamente,
elas até brilham.
Eu não preciso criar mais janelas
para que hajam mais céus.
Fico só noiteando,
enquanto você dorme.
Acredito nas coisas que acontecem como água. assim, em fluxo de transparência., impressas no corpo. Estou sendo absolutamente eu agora e no segundo seguinte, sua autora. Não fiz nada por você. Seu nome, seus gestos, suas roupas, fiz tudo por mim e só me dei conta quando você disse na sua carta que me tinha como uma neta, que pensa até em que lugar da mesa eu sentaria se passasse o ano novo com vocês. Logo eu? A única pessoa capaz de imaginar e planejar a sua morte. Você amaria uma pessoa sabendo que a sua vida se equilibra naquele fio solto na barra da saia dela? Por favor, não quero recheio no meu bolo, não posso aceitar. Sim, eu fiz você mais doce do que alguém com a sua historia poderia ser e agora peço que você me surpreenda. Como? Eu não sei. Preciso fechar os meus olhos e enxergar com as suas mãos. As únicas reclamações que você tem em relação a mim são a temperatura do banho, quente demais, e que vez ou outra, você se sente um pouco exposta. Você faz questão de marcar bem o “um pouco”, na sua carta, que é pra não me chatear. Eu sou a sua autora e não o seu jardim. Meu deus, eu criei uma pessoa acolchoada, e tenho medo que essa seja a textura do meu sentimento de mundo. Você não tem culpa, eu lhe dei a chance de falar e você falou. Podemos ter menos cuidado uma com a outra a partir de agora. Se você for mais real, quem sabe eu não serei também?
Eu fico pensando se tem algum momento em que todas as pessoas do mundo estão de olhos fechados ao mesmo tempo. Todas. Entendo que existam os fusos-horários e os que têm insônia e os vigias noturnos e os preguiçosos e as mães de recém nascidos e a China. E fico feliz que os chineses fechem os olhos enquanto riem. Aumenta as minhas chances. É por isso que em alguns momentos do dia, assim, de repente e sem que ninguém veja (se vissem, já não adiantaria), fecho os meus e penso que se alguém estiver tendo esta mesma idéia em Sidney, Moçambique, Brasília, não importa, eu vou ter feito a minha parte.
A minha caixa de colorir era azul. O banho todo me tomava em água de brincar. Acontecia assim: água quente-fria-tempo. Demorava seis banhos em pé pra encher a banheira até lá em cima. Banho deitado, em palavra de mãe, é de relaxar. Em palavra de menina, é de virar peixe. A gente entrava como se entrasse num quarto sem barulho. Tchibum era o único. Devagar pra não levar tombo. Depois, fazia nado que era de ponta a ponta na água. Onda quebrando pra fora, no chão. Não briga, mãe. O olho terminava o banho primeiro que eu por motivo de sabão, mas eu não saía. Assoprava a água pra fazer vida pro barco e ele ia. Às vezes, virava. Só quando a toalha vinha num abraço é que eu tinha que sair. Até hoje é assim, me dá um lápis azul que eu desenho um dia feliz.
Eu quero morar numa casa
com janelas de madeira.
Daquelas que o sol vem em listras.
Pintar de laranja, eu gosto.
E torcer pro tempo virar
e virar de novo,
tempo redondo-quadrado.
Passar o dia vendo formiga na janela
vai ser bom.
A tristeza é só uma ponte.
Aperta no peito e no pé.
O que a gente precisa é de fôlego.